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Jessica Alba: A Garota de Um Bilhão de Dólares

 Como a antiga estrela adolescente ficou no meio de toda a agitação de Hollywood e construiu um império de quase um bilhão de dólares com produtos ecológicos

por Allison Glock

 

Os escritórios da Companhia Honest em Santa Monica fervilham da maior positividade. Muitos dos funcionários, uma equipe com 338 membros e de idades diversas, sorriem diante da agitação.  O espaçoso lobby é decorado como uma sala de estar aconchegante, com um aparador vintage, luminárias de mercado de pulgas, uma cópia desgastada da obra The Honest Life (A Vida Honesta), um livro campeão de vendas escrito pela fundadora da Honest e atriz Jessica Alba, repousando sobre a mesa de café. Além disso, o interior do local, uma antiga fábrica de brinquedos, possui paredes com detalhes em madeira, tijolos expostos e um visor de plantas suculentas brotando do chão ao teto saindo de pequenos potes de doces.

 

"Às vezes, o meu CFO fica irritado sobre isso", Alba, 34 anos, declarou com um encolher de ombros, quase imperceptível, enquanto passávamos pelas folhagens. Ela estava vestida com calças jeans justas, uma camiseta branca e casaco de camurça branco, demonstrando estar descontraída e atenta ao mesmo tempo. "Alguém tem que vir toda semana para aguar e colocá-las no sol uma vez ao dia, e isso custa dinheiro."

 

Esqueça isso. Alba teve uma visão para o local de trabalho, e a visão incluía plantas. "Precisávamos de algo vivo. Nós não poderíamos apenas ter fotos bonitas", ela explica de forma simpática. “E então, quando ele diz: 'Será que realmente precisamos das plantas suculentas? 'Eu digo, 'Sim, sim, nós precisamos."

 

Em 2011, o conceito de Alba para a Companhia Honest surgiu completamente formado em sua cabeça. Ela queria criar um site de e-commerce que vendesse produtos ecológicos para casa e produtos de bebê. Depois de contar com a ajuda de um especialista em saúde ambiental, Christopher Gavigan, seu cofundador e CPO, um inovador de e-commerce, Brian Lee, o seu cofundador e CEO, e um desenvolvedor de negócios, Sean Kane, o seu cofundador e presidente, ela garantiu o capital inicial para o investimento e em 2012 a companhia Honest nasceu. Tudo começou com a fabricação de 17 produtos, que vão desde fraldas e lenços até detergentes e removedores de manchas. Em seu primeiro ano, Honest faturou em $10 milhões em vendas. Em 2013, praticamente sem publicidade, mas com forte boca a boca, as vendas dispararam para US $50 milhões. Hoje a empresa possui seus 117 produtos também disponíveis em redes varejistas como a Target Costco e Whole Foods, e está avaliada em cerca de US $1 bilhão.

 

Alba diz que os números não são tão impressionantes (mas com certeza eles são o suficiente para aguentar algumas plantas suculentas). "Quando você olha para o mercado em que estamos, são trilhões de dólares", explica ela. "Um limpador de janelas sozinho é um negócio de bilhões de dólares, só para dar um pouco mais de perspectiva do negócio porque as pessoas ficam tão assustadas com a nossa estimativa. Além disso, ele ainda não é evidente, porque eu ainda estou aprendendo”.

 

O próximo passo da Honest é trabalhar com beleza e produtos de cuidados femininos. "Estamos fazendo um tampão orgânico, mas não vai ser em um aplicador de papelão", diz Alba. “É um aplicador compacto de plástico à base de plantas, que é o primeiro deste tipo. A empresa recebe cerca de 5.000 chamadas por dia de clientes que têm sugestões e listas de desejos. Como resultado, eu estou trabalhando em cuidados com a pele, cuidados com o cabelo, colchões, filtros de ar, pintura. Os nossos clientes realmente querem pintar”.

 

Mesmo antes de lançar a Honest, Alba diz que sabia que os consumidores apaixonados estavam lá fora, embora nem todos estivessem convencidos disto. "Quando ela originalmente se aproximou de mim com a ideia da empresa, eu não entendi completamente o que ela estava falando", admite Lee. "Então eu tive meu primeiro filho, e vi como minha esposa mudou. Ela começou a fazer compras no Whole Foods e fazer purês orgânicos para o nosso bebê. E me veio na cabeça que a criação dos filhos é como um despertar para muitas mães. Você segura seu filho pela primeira vez e quer fazer tudo o que puder para criar um ambiente seguro para ele. Esse é o momento em que eu soube que Jessica estava certa em seu conceito”.

 

 

 

Mãe de duas meninas e trabalhando fora, Alba compreendeu outras mães que trabalham como ela. Como as mulheres têm que lidar com 20 coisas ao mesmo tempo. Ser um modelo de uma linha para produtos holísticos seria um alívio bem-vindo. Como consumidoras do sexo feminino acabam comprando tanto com a cabeça e o coração. "Eu estava criando uma marca para mim. Eu era a consumidora", diz ela.

 

Casada a sete anos com Cash Warren , produtor de TV, ele lembra os primeiros dias de sua mulher na mesa da cozinha " escrevendo planos de negócios e mais planos de negócios." Ela não ouviu de potenciais investidores muito. Ela ouviu não de muitos investidorem em potencial. "Minha reação inicial foi, você precisa simplificá-lo", diz Warren. "Ela nunca tinha começado um negócio antes. Ser uma atriz tinha seu próprio conjunto de desafios que ela teve de superar [para ser uma empreendedora]. Parecia assustador. "Warren ri, olhando para trás. Ela estava certa o tempo todo. As mulheres são muito mais inteligentes do que os homens”.

 

Alba diz que não temia falhar nem tentar: "Eu não quero acordar e me chutar por não realizar algo que eu acreditava. Eu não podia esperar para rejeitar o status quo, esmurre-o no rosto e chutá-lo para longe. Com a Honest, criamos uma pista que não existia”.

 

O interesse de Alba em uma vida saudável veio devido à vulnerabilidade de sua saúde quando criança. Ela estava sempre doente, com asma, problemas renais e alergias graves o suficiente para exigir hospitalização prolongada. "Foi um fato da vida para ela", diz sua mãe, Cathy, das lutas médicas recorrentes de Alba. "Foi difícil. Eu ia dormir ao seu lado no hospital. Nós brincávamos na cama. E assim foi até os seus 12 anos”.

 

Agora com a saúde radiante, Alba acredita que as recentes aumentos em tudo, desde os cânceres à alergias e as dificuldades de aprendizagem estão ligados as causas ambientais. "Os aumentos coincidiram com o surgimento de todos esses produtos químicos potencialmente perigosos não testados", ela diz, ecoando o lobby que ela fez no Capitólio, em 2011, pela Lei de Seguro Químico. "Eu sei de antemão o que é ter um sistema imunológico comprometido. Eu realmente, realmente não quero ver os meus filhos passarem pelo que eu passei”.

 

E assim, inspirado pelo nascimento de sua primeira filha, Honor, em 2008 (seguido da segunda filha, a Haven em 2011) e desanimada com a aparente falta de preocupação com a regulação da indústria química nacional do governo, Alba decidiu: "Se eles não vão proteger minha família, eu vou ter que fazer isto”.

 

Conheci Alba uma década atrás, quando ela estava na capa da Rolling Stone. Isso foi depois que ela tinha alcançado o status de protagonista com a série de TV Dark Angel, e ainda assim ela ainda estava sendo avaliada quase exclusivamente por sua beleza magnética, algo que ela achou absurdo, mas foi inteligente o bastante para explorar com isso para mais visibilidade. Enquanto Alba atuava como a mulher fatal e a gata sedutora em filmes de grande sucesso como Sin City e Quarteto Fantástico, fora da tela ela era a boa menina responsável, que não estava disposta a deixar que ninguém a fizesse de tola. "Quando eu falava com a imprensa naqueles dias, os jornalistas sempre queriam ir a clubes ou ir beber", diz Alba, que começou em Hollywood aos 12 anos com pequenos papéis na TV e comerciais. "Eu tinha que explicar, 'Eu não faço essas coisas".

 

Seus olhares sensuais fizeram um pouco de um cavalo de Tróia: a sirene do lado de fora, prudente e pragmática. Sempre que havia listas quentes, Alba estava no topo durante sua carreira, e houve muitas - ela nunca apareceu nua, uma escolha que brota de sua educação católica conservadora e seu feminismo, o que declarou com orgulho. Em vez disso, de maneira inteligente, ela montou uma linha entre gatinha sensual e garota meiga, jogando de forma pertinente e vivendo feliz.

 

 

"Eu sempre fui muito prática e realista sobre Hollywood", diz ela. "Há uma grande quantidade de ar quente lá". Em outras palavras, como atriz, Alba era astuta o suficiente para tratar Hollywood como um negócio. Ela encontrou um nicho, se capitalizou com ele e não o deixou interferir em sua vida real.

 

Hoje Alba está fazendo a mesma coisa, só que agora ela está fazendo isso para si e para a melhoria do planeta. As pessoas agem como se começar a empresa Honest é fosse a partida, mas a realidade é que eu estive envolvida nisso tudo desde que eu tinha 12 anos. Eu tenho vendido produtos na TV de outras pessoas, produtos de beleza, produtos de filme. “Estou aproveitando as habilidades que aprendi em Hollywood por anos”.

 

Alba reconhece que ela é agora um cavalo de Tróia de um tipo diferente: Longe de ser apenas o rosto bonito da marca Honest, diz seu marido, "Jessica é uma microgestora, não há nada que saia da Honest sem que suas impressões digitais estejam ali".

 

A mãe, sem rodeios diz, "Ela é uma maníaca viciada em trabalho".

 

Embora ela ainda interprete papéis no cinema ("Ser uma atriz é como tirar férias, o ramo é implacável"), ela passa muito do seu tempo nos escritórios Honest, frequentemente trabalhando até 10 horas por dia. "As pessoas trabalham duro aqui", ela observa. "É bom estar perto de pessoas que estão tão comprometidos. "É bom também ser a própria patroa pela primeira vez, embora Alba reconheça que sua habilidade de gestão seja um trabalho em andamento”. "Às vezes eu sou um pouco mais dura do que seria necessário", admite. "Eu vou direto ao ponto." Este estilo não tem sido sempre o mais prazeroso para todos. Já fiz pessoas chorarem. Eu tive que dizer: Isso não é pessoal. Isto é o que precisa ser feito, simples assim. E... não estamos mais chorando”. Ela ri. "Estou aprendendo a suavizar o impacto”.

 

Mesmo como uma menina crescendo principalmente em Claremont, Califórnia, Alba nunca foi suave. A rara atriz criança que nunca atuou, Alba possuía uma maturidade sobrenatural. "Eu sabia que precisava fazer alguma coisa com a minha vida em uma idade precoce", lembra. A mãe dela concorda, revelando que sua filha tem sido ambicioao desde que ela podia andar. "Eu tive que pedir-lhe para ir jogar com seus amigos", diz Cathy Alba. "Ela sempre queria sair com adultos".

 

Talvez não de forma surpreendente, Cathy (que é casada com seu marido, Mark, já há 17 anos) detém uma posição na Honest como educadora da marca. "Eu implorei para ela trabalhar para mim", diz Alba. "A única coisa ruim é que ela tem uma foto grande minha na mesa dela; é embaraçoso”.

 

"Jessica sempre achou que fosse minha chefa”, brinca a mãe. "Lembro-me de estar no carro quando ela tinha cinco anos de idade e ela me perguntando se eu me lembrei de desligar o ferro, de trancar a porta. Eu tive que lembrá-la: “Você é a filha”! Eu sou a mãe!”.

 

Essa precocidade não funcionou muito bem na escola. Duas mulheres, conhecidas de Alba, dizem que foi terrível para ela. Sua mãe tanto se culpa quanto atribui os créditos a si. "Eu não nunca quis que ela se sentisse uma vítima. Eu queria que ela pudesse expressar seu ponto de vista para debater. Para desafiar a autoridade. Eu não estava prestes a ensiná-la a ser uma boa garota”. Ainda assim, Cathy lamenta o que pra ela foi um dos seus maiores erros como mãe. "Quando as meninas eram más com ela, eu dizia a ela que era por ciúmes dela ser bonita", lamenta. "Eu gostaria de ter dito algo diferente. Eu desejaria ter dito que era porque ela era inteligente e sincera”.

 

 

 

"Eu disse a mim mesma que eu fui estúpida por um longo tempo", confessa Alba, uma autoavaliação que foi reforçada quando ela saiu da escola para seguir atuando e teve de lidar com as muitas rejeições arbitrárias que se seguiram. Mas com a experiência, idade e maternidade vieram respeito por sua voz interior. Ela parou de duvidar de si mesma. Silenciado o crítico interno. Sua idéia para Honest foi articulada com esse ponto em sua vida quando ela decidiu que não comprometeria o que sabia que era melhor.

 

É fim de tarde quando Alba se junta a sua equipe e seus parceiros em uma reunião de projeto em uma das arejadas salas de conferências. Os homens ao redor da mesa estão todos vestindo alguma variação de azul - camisa xadrez, evocativa da cor da assinatura Honest.

 

"Não é um uniforme”, Alba insiste. “Ela me fez uma placa Pinterest com sugestões de guarda-roupa, um dos caras confessa”. Alba fica pálida. "Não diga isso", diz ela com um suspiro. "Ela fez", continua ele, rindo. Toda a sala começa a se juntar.

"OK, OK. "Alba sustenta uma palma". Eu fiz para ele uma placa Pinterest. Mas ele estava usando este jeans fundo sino com apliques. Eles eram tão ruins. Eu só queria que ele melhorasse o visual, pelo menos no trabalho".

 

Alba sabe que ela está provando para sua mãe e seu marido muito bem, que ela é microgestora.  "Ela vai olhar para a embalagem em nosso detergente e dizer que uma das flores deve ser laranja em vez de amarela", diz Lee, mas talvez seja porque Alba, como todas as mulheres, reconhece que os detalhes contam. "Meus parceiros são homens", explica Alba. "Sempre que eu digo algo que vai contra a intuição deles, eles vão voltar e falar com suas esposas. E então suas esposas geralmente concordam comigo". Ela levanta as sobrancelhas. "Então é assim que obtenho o material feito aqui”. "E as coisas", Alba quer dizer nada menos do que estabelecer uma marca icônica ao longo dos gostos como a Apple, Nike, Disney. "Você não vai realmente fazer uma grande diferença no mundo se você não atuar em um nicho de mercado", diz ela claramente.

Já bem sucedida, Alba finalmente sente-se contente. “É bom estar contente. Eu era uma espécie de pessoa insatisfeita e angustiada. É bom de livrar da angústia”.

 

A execução de um meganegócio realinhou a perspectiva de Alba de outras maneiras também. Ela se preocupa que ela não esteja em casa o suficiente. Que quando ela está em casa, ela sufoca seus filhos com muito carinho. Alba sabe que em breve seus filhos serão mais velhos, que em pouco tempo eles estarão "na faculdade, ou fora no mundo, e é como, Waaah." O dilema-casa-equilíbrio entre trabalho sempre é presente, Alba muitas vezes se pergunta se ela está fazendo a escolha certa. "Eu espero que esteja certa", ela diz sobre sua decisão da carreira. "Você realmente não sabe como isso está afetando os seus filhos até que eles sejam adultos e digam, 'Você arruinou a minha vida, mãe!' Talvez eles queiram que eu fosse uma mãe dona-de-casa que prepara bolinhos com gotas de chocolate todos os dias. "Ela faz uma pausa, considera o pensamento. "Nah. Eu provavelmente começaria uma empresa de bolinhos com gotas de chocolate. Entende?”.

 

Quando ela diz isso, Alba ri, seu rosto cora um pouco, e é óbvio que naquele momento para ela a Companhia Honest não é apenas sobre produtos honestos, mas sobre ser honesto consigo mesmo. Sobre possuir quem você é e não pedir desculpas pra quem você sonha em ser. "Se você não sabe essas coisas, você pode flutuar", avisa. "E quando você flutua alguém pode entrar e empurrá-lo para fora do caminho. Talvez este seja apenas o primeiro passo, mas eu sinto que pelo menos eu estou no lugar certo e na hora certa para mim”.

 

 

Texto traduzido por Inglês S/A para o portal Rede Mulher Empreendedora, do original "Jessica Alba: Billion-Dollar Baby", publicado no more.com

Fonte: Divulgação

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