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V I R A D A


COLUNISTAS









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Amor ao negócio ou ao empreendedorismo?

Comecei a empreender por volta dos 15 anos, eram tempos difíceis e precisava ajudar a família a complementar a renda da casa. Passando por uma loja de artigos para bijuteria e devido ao baixo custo da matéria prima, vi ali a possibilidade que eu procurava. Comprei algumas miçangas, fechos, fio de náilon e um alicate. Naquele dia, voltei para casa com a melhor sensação do mundo, foi a primeira vez que senti um misto de euforia, medo e otimismo e assim timidamente comecei a empreender.

Durante este período, me dividia entre confecção de peças, venda e colégio, confesso que durante as aulas, ficava imaginando formas de oferecer meu produto. Aos poucos fui dando uma cara "mais profissional" ao que fazia. Comecei vendendo em um recipiente de plástico, depois em um mostruário e por fim, já estava vendendo em embalagens individuais. Notei que as minhas clientes foram fidelizadas não só pela compra de bijuterias que ficaram cada vez mais elaboradas, mas principalmente pela maneira como as tratava. Com o tempo, ampliei minhas vendas para outros produtos, a fim de dar a elas ainda mais possibilidades. Durante alguns anos este foi o meu ganha-pão.

O tempo passou, casei, tive filhos e voltei a estudar, nesta ordem mesmo. Entrei na faculdade aos quatro meses de gravidez. Durante o período da gestação procurei me dedicar aos estudos e à chegada do meu segundo filho ( o primeiro, tive aos 15 anos).

Logo após o nascimento do meu bebê, engordei absurdamente e me sentia muito mal comigo mesma. Com muito esforço e reeducação alimentar, reduzi dez números de manequim em um espaço relativamente curto de tempo. Foi então que veio o segundo conflito empreendedor da minha vida, mas e agora, o que fazer com todas as roupas que não me serviam mais? Você como mulher, deve entender o apego que podemos ter por certas peças de roupa e comigo não foi diferente. Apesar de ter doado boa parte, ainda guardei algumas, pois queria que elas fizessem feliz outra pessoa. Em um rompante de criatividade, me surgiu a ideia. Por que não vendê-las na internet? Junto com uma amiga passamos a fazer planos para o que viria a ser um grande Brechó virtual. Inicialmente começamos com as minhas roupas, para minha surpresa o "estoque" se esgotou rapidamente, ao mesmo tempo outras mulheres entravam em contato conosco para também vender suas roupas e assim o que era para ser um ganho extra, acabou virando minha principal atividade. Começamos vendendo pela internet e quando nós demos conta, já estávamos atendendo empresas durante o horário de almoço, montando um "Brechó Chic" onde nos chamavam.

Minha intenção de empreender, além de levar as pessoas o que elas precisavam, era fazer algo que me trouxesse satisfação e flexibilidade de horário, não somente lucro.

Como ainda estava na faculdade e o tempo acabou ficando cada vez mais curto, decidi que precisava abrir mão de algo. Foi então que em uma difícil conversa com a minha sócia, resolvi deixar o negocio.

Tenho a grande felicidade de ser casada com uma pessoa que me apoia fortemente em minhas decisões além de assim como eu, ter espírito empreendedor e visão de negócios.

Na época em que deixava o Brechó, meu marido adquiria uma empresa do ramo da construção civil. Inicialmente relutei, pois imaginava que uma futura psicóloga em nada contribuiria naquele ambiente literalmente concreto, ledo engano.

Aos poucos fui me iterando das coisas e quando vi, já estava de botas e capacete no canteiro de obras. Posso dizer que ali, descobri outra paixão que ainda não conhecia, o de reconhecer pessoas e reconstruir vidas, foi na construção civil que descobri minha paixão por gente. O tempo passou e a vontade de empreender bateu novamente na porta do meu coração. Com a empresa rodando bem, senti que já era hora de encontrar novas possibilidades. Com uma ideia na cabeça e três sócios a tira colo, comecei uma empresa especializada em "transformação de comportamento" por meio de historias. Para mim o principal, não era o que eu podia oferecer, mas o quão confortável meu método podia deixar as pessoas a quem pretendia ajudar a desenvolver. O futuro desta empresa, ainda é incerto, estamos prospectando clientes, elaborando ações estratégicas e com uma vontade enorme de vencer. Olhando para trás, noto que nunca me apeguei muito a um negocio e por maior que fosse a paixão pelo que fazia, não pensei duas vezes em abrir mão e arriscar em busca de novos horizontes. Hoje, não me considero uma mulher de negócios, mas tenho alma empreendedora, não aquela que empreende apenas pelos benefícios pessoais ou financeiros, mas aquela que acredita que o empreendedorismo pode sim transformar vidas, pessoas, pensamentos e o ambiente ao seu redor.

Por isso digo, se você já tentou de tudo, realmente deu o melhor de si e  ainda assim seu negócio não anda bem, não oferece mais as pessoas aquilo que elas necessitam, te trazem mais prejuízo do que lucro e é a maior causa de suas preocupações, repense se não seria a hora de você também buscar novos horizontes. Volte a sua essência e descubra novamente aquela energia empreendedora que te fez começar.

Apegar-se a algo que não te faz mais pular da cama com uma vontade enorme de fazer a diferença é uma das piores coisas que podem acontecer a uma empreendedora.

Não deixe sua luz se apagar, pois acima do amor ao negocio, existe dentro de você algo que se chama amor por si mesma e é neste lugar que o empreendedorismo também mora! Pense nisso.

 

Gisele Meter é psicóloga, diretora executiva de Recursos Humanos e palestrante, atua com gestão estratégica de pessoas, adora escrever sobre o universo feminino nas organizações e acredita que uma mulher pode ser tudo o que quiser desde que acredite em sua força interior. www.liderancafeminina.com.br

Fonte: Divulgação

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