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A outra juventude

A Ruth Manus publicou ontem um texto maravilhoso (http://vida-estilo.estadao.com.br/blogs/ruth-manus/a-triste-geracao-que-virou-escrava-da-propria-carreira-2/), mas que não representa a juventude a qual faço parte e observo de tão perto. Assim, seu texto “E a juventude vai escoando entre os dedos”, foi inspiração para a minha réplica, que você lerá a seguir.

 

 Era uma vez uma geração que era muito livre.

 

Admirava seus avós, que lutaram para criar sete filhos e eram analfabetos.

 

Admirava seus pais, que ralaram em empregos ingratos, complementavam a renda com um negocinho próprio para dar a melhor vida possível aos seus filhos, que puderam comer iogurte e desenhar com lápis de cor de uma linda caixa com vinte e quatro tonalidades.

 

Invejava todos que tinham feito intercâmbio, mochilão, viajado o mundo e falavam inglês fluentemente. E correu para fazer também.

 

Era uma vez uma geração que teve muito mais oportunidades que seus pais e avós.

 

De fato, frequentou boas escolas.

 

Entrou nas melhores universidades.

 

Mas, não quis saber de seguir a manada e queria mais. Não foi vestir a roupinha social, ficar no ar condicionado e receber a cesta de Natal no fim de ano. Para falar a verdade, queria sim receber a cesta de Natal, o bônus por desempenho e ter férias remuneradas.

 

Era uma vez uma geração que aos 20 sonhava em ganhar como o Mark Zuckerberg. Aos 25 estava devendo para os pais, seus primeiros investidores. Aos 30 já tinha quebrado diversas vezes e ainda não havia conquistado a sua casa própria. Aos 35 olhava para trás e pensava se realmente valeu a pena ser livre, seguir seu coração e vontades próprias.

 

Era uma vez um empreendedor com o seu revolucionário aplicativo para smartphone.

 

Ninguém podia o deter. A experiência crescia diariamente, o network também. Tinha amigos que trabalhavam na Google e sonhava em passar uma temporada no Vale do Silício. Mas, a conta bancária estava cada dia mais feia.

 

O problema é que viver de sonho não enche a barriga. O auge parece estar cada vez mais longe. Mas, para o empreendedor, cada fracasso o faz ficar mais próximo do seu sucesso.

 

Ao menos é nisso que ele acredita e os gurus do empreendedorismo o fazem acreditar.

 

Ele queria ser diferente dos seus colegas que tinham dinheiro para muitas viagens e não tinham tempo para isso. Ele queria ser diferente dos seus colegas que compravam a saúde em caixinhas. Por isso escolheu o caminho que escolheu.

 

Só que ele mesmo não estava dormindo o suficiente, virava a madrugada em competições de negócios para levantar um espacinho na mídia, que no fundo era até mais legal e ego-importante que conseguir a grana do prêmio. E cá entre nós, nem tinha grana nenhuma, só horas de consultoria e assessoria de imprensa com valores superestimados.

 

Ele era livre! Livre de patrão, mas escravo do seu próprio negócio, da mídia sobre empreendedorismo e da falta de dinheiro. É escravo do pesadelo de, um dia, precisar voltar ao mercado de trabalho o qual conhece pela breve passagem como estagiário.

 

Ele não esperava por isso mas, também, não tem tempo para cuidar da saúde e para ir no aniversário de um velho amigo, afinal, o seu app precisa conquistar 500 usuários até amanhã. 

 

Seu colega executivo-de-uma-grande-empresa tem dinheiro, carro, casa e uma família. E nossa juventude aqui descrita não tem nada disso aos 30! Ao menos o peso de não ver o filho andar pela primeira vez é inexistente, ele nem pensou em filho ainda.

 

Ao menos a juventude empreendedora seguiu seu sonho e é livre. Suas madrugadas de trabalho passam voando, cada competição é injeção de adrenalina, cada vez que vê o nome da sua startup naquele site sobre empresas é uma emoção sem fim. Seu sonho não paga as contas mas o faz viver.

 

Vai dar certo sim e será a próxima empresa a ser comprada pelo Facebook por bilhões de dólares.

 

E se não for, ao menos essa juventude aproveitou o caminho. E o Registro.br ganhou mais 30 reais.

 

 

Stefani Paranhos É graduada em Marketing pela EACH/USP e mestranda em Empreendedorismo (Inovação e Novos Negócios) pela FEA/USP. Enquanto pesquisadora, atua principalmente nos seguintes temas: empreendedorismo, inovação e novos negócios.
Tem experiência profissional atuando no planejamento e marketing de startups e como empreendedora.

Atualmente apoia o Supernova, um programa criado por pesquisadores do Instituto de Ciências Biomédicas e da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, que atua como aceleradora tecnológica de projetos acadêmicos com forte potencial para aplicações comerciais.

 

Fonte: Divulgação

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